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PIRÂMIDE DOS ALIMENTOS

O primeiro Guia da Pirâmide Alimentar foi elaborado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e apresentado oficialmente em 1992, com a intenção de auxiliar a população em geral na obtenção de uma alimentação saudável, devido à elevada incidência de obesidade e doenças crônicas neste país. A pirâmide adaptada aos padrões brasileiros, segundo Phillipi (1999), possui 4 níveis com 8 grandes grupos, sugerindo maior participação e importância dos alimentos nos grupos da base para o topo da pirâmide: cereais, pães, tubérculos e raízes (fonte de carboidratos); verduras, legumes e frutas (fonte de vitaminas e minerais); carnes e ovos (fonte de proteína, ferro, vitaminas); feijões (fonte de proteína vegetal); leites, iogurtes e queijos (fonte de proteínas, cálcio e vitaminas); óleos e gorduras (fonte de gorduras) e açúcares e doces (fonte de carboidratos). Nesta pirâmide são mostrados os grupos de alimentos e suas quantidades mínimas e máximas diárias recomendados.

Figura 1 - ANTIGA PIRÂMIDE
Piramide
Fonte: PHILLIPI, S.T. et al, 1999.

Segundo a legislação vigente em nosso país, a "Pirâmide Alimentar é um instrumento, sob a forma gráfica, de orientação da população para uma alimentação mais saudável". (RDC nº39, de 21 de março de 2001) . Ela constitui um guia para uma alimentação saudável, onde você pode escolher os alimentos a consumir, dos quais pode obter todos os nutrientes necessários, e ao mesmo tempo, a quantidade certa de calorias para manter um peso adequado. A diferença nas recomendações para os diabéticos é evitar ao máximo o consumo de açúcar e aumentar a ingestão de fibras que contribuem para reduzir a absorção de glicose.

Como resultado dos muitos estudos epidemiológicos realizados ao longo dos últimos anos, os cientistas aplicaram os novos conhecimentos sobre a relação entre os nutrientes e a saúde e reformularam os conselhos inerentes à pirâmide dos alimentos.

A nova pirâmide desenvolvida por Walter Willett, chefe do departamento de nutrição da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard, possui 7 níveis, tendo como base os exercícios físicos e o controle de peso. No segundo nível estão os carboidratos integrais, como pães e arroz, juntamente com os óleos vegetais. Acima, estão as hortaliças e as frutas. Logo acima, as castanhas, amendoim e leguminosas, como feijão, ervilha e grão-de-bico. Em seguida, peixes, frango e ovos. No topo da pirâmide encontram-se os laticínios ou suplementos de cálcio, e por ultimo, arroz branco, pão branco, batata, macarrão e doces, juntamente com a carne vermelha e a manteiga. Vitaminas e até uma dose moderada de bebida alcoólica também estão incluídas, apesar das controvérsias.

A nova pirâmide diferencia as gorduras, restringindo apenas a gordura saturada, abundante na carne vermelha e lacticínios e incentiva o uso de óleos vegetais que são fontes de ômega 3 e tem um efeito favorável na redução dos triglicérides plasmáticos e no aumento dos níveis de HDL (colesterol bom), exercendo uma importante ação na prevenção de doenças cardiovasculares. As gorduras trans (hidrogenadas) nem sequer aparecem na pirâmide uma vez que não têm lugar numa dieta saudável. Assim, todos os alimentos que as contenham deverão ser evitados (margarinas e cremes vegetais para barrar, produtos de pastelaria, bolos, bolachas e a grande maioria das refeições processadas prontas a comer).

Os carboidratos também foram separados, sendo que os integrais permaneceram na base da pirâmide por serem ricos em fibras, as quais exercem um efeito benéfico sobre o sistema gastrintestinal e estão envolvidas na redução dos níveis de colesterol e melhor controle glicêmico. Já o carboidrato refinado (arroz branco, pão branco, batata...) foi para o topo da pirâmide, uma vez que estes alimentos, quando ingeridos, aumentam rapidamente os níveis de glicose sanguínea e estimula a liberação de insulina, hormônio que capta a glicose e a levando-a para os músculos e fígado. Níveis elevados de glicose e insulina podem ter efeitos negativos sobre a saúde cardiovascular, aumentando os triglicérides e diminuindo o HDL (colesterol bom), além de diminuir a glicose do sangue rapidamente, havendo a necessidade de comer novamente. Em relação ao grupo das frutas e hortaliças as recomendações permanecem iguais à da pirâmide alimentar anterior.

Todos os grupos de alimentos são importantes para suprir as necessidades de nutrientes dos indivíduos e manter sua saúde, por isso, todos devem ser consumidos em suas quantidades adequadas. Estas quantidades variam de acordo com as necessidades de cada indivíduo.

Figura 2 - Nova Pirâmide de Alimentos
nova pirâmide
Fonte: WILLET, W.C., 2002.

Outra versão supernova da pirâmide você pode acessar www.mypyramid.gov. O site é em inglês, mas vale a pena dar uma olhada.

Referências Bibliográficas:
1.PHILLIPI, S.T. et al. Pirâmide alimentar adaptada:guia para escolha dos alimentos. Ver. Nutri.1999;12:65-80,Campinas, jan/abril.
2.RDC nº39, de 21 de março de 2001
3.WILLETE,W.C. et al. Eat, Drink, and Be Healthy: The Harvard Medical School Guide to Healthy Eating.,Simon & Schuster, 2001.

Por Dra. Michelle Ferreira De Simone
Nutricionista CRN-19020

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