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DIABETES

O que é?

Diabetes é uma doença metabólica provocada pela deficiência de produção e/ou de ação da insulina, que leva a sintomas agudos e a complicações crônicas características. Sua característica fundamental é a hiperglicemia (aumento de açúcar no sangue).

O distúrbio envolve o metabolismo da glicose, das gorduras e das proteínas e tem graves conseqüências tanto quando surge rapidamente, como quando se instala lentamente. Nos dias atuais, se constitui em problema de saúde pública pelo número de pessoas que apresentam a doença, principalmente no Brasil.

Tipos do Diabetes:

Diabetes Mellitus tipo I: Ocasionado pela destruição da célula beta do pâncreas, em geral por decorrência de doença auto-imune, levando a deficiência absoluta de insulina.

Diabetes Mellitus tipo II: Provocado predominantemente por um estado de resistência à ação da insulina associado a uma relativa deficiência de sua secreção.

Outras formas de Diabetes Mellitus: Quadro associado a desordens genéticas, infecções, doenças pancreáticas, uso de medicamentos, drogas ou outras doenças endócrinas.

Diabetes Gestacional: Circunstância na qual a doença é diagnosticada durante a gestação, em paciente sem aumento prévio da glicose.

O diabetes mal controlado, com a glicemia permanentemente elevada, pode danificar os vasos arteriais e os nervos. Como os vasos e os nervos existem em todas as partes do corpo, qualquer órgão pode ser danificado.

Assim, nos olhos seria a retinopatia diabética, a segunda causa de cegueira do mundo; nos rins, a nefropatia diabética, causa freqüente de hipertensão arterial e de insuficiência renal entre as pessoas que não controlam o diabetes; e o comprometimento dos nervos periféricos, levando a uma neuropatia diabética, causa de dores, paralisias e complicações como dificuldades de urinar, alterações no ato de evacuar, da digestão etc.

O coração e o cérebro também podem sofrer as conseqüências do mal controle do diabetes. Isso porque os grandes vasos também sofrem, pois a glicemia alta aumenta o colesterol e os triglicerídeos do sangue, favorecendo a arteriosclerose precoce com comprometimento da circulação do cérebro, o que pode causar acidentes vasculares celebrais, do coração (infarto do miocárdio) e dos membros (gangrenas diabéticas).

É importante lembrar que a maioria dos danos causados pelo diabetes mal controlado são silenciosos, ou seja, eles ocorrem lentamente por um longo período de tempo antes que se façam notar.

O tratamento consiste em mudanças dos hábitos alimentares para uma alimentação mais saudável, com o controle da ingestão de açúcares (carboidratos); uso de alguns medicamentos específicos (insulina, antidiabéticos orais, etc.) e a prática de exercícios físicos.

Sinais e Sintomas:

- Sede excessiva;
- Vontade de urinar diversas vezes;
- Perda de peso (mesmo sentindo mais fome e comendo mais do que habitual);
- Fome exagerada;
- Visão embaçada;
- Infecções repetidas na pele ou mucosas;
- Machucados que demoram a cicatrizar;
- Muito cansaço;
- Dores nas pernas por causa da má circulação;
- Em alguns casos não há sintomas.

Classificação do Diabetes em adultos:
Normal: glicemia de jejum entre 70 mg/dl e 99mg/dl e inferior a 140mg/dl 2 horas após sobrecarga de glicose.
Intolerância à glicose: glicemia de jejum entre 100 a 125mg/dl.
Diabetes: 2 amostras colhidas em dias diferentes com resultado igual ou acima de 126mg/dl. ou quando a glicemia aleatória (feita a qualquer hora) estiver igual ou acima de 200mg/dl na presença de sintomas.
Teste de tolerância à glicose aos 120 minutos igual ou acima de 200mg/dl.
Fonte: American Diabetes Association. Standards of Medical Care in Diabetes. Diabetes Care 28:suplemento 1, janeiro,2005.
Fatores de risco para o desenvolvimento da doença:
• Idade = 40 anos
• História familiar de DM (pais, filhos e irmãos)
• Excesso de peso (IMC = 25kg/m2)
• Sedentarismo
• HDL-c baixo ou triglicérides elevados
• Hipertensão arterial
• DM gestacional prévio
• Macrossomia ou história de abortos de repetição ou mortalidade perinatal
• Uso de medicação hiperglicemiante (por exemplo, corticosteróides, tiazídicos, betabloqueadores)
Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes, 2002.
Como deve ser a alimentação de um diabético?
A alimentação é um dos pontos fundamentais no tratamento do Diabetes. Ela é muito semelhante à alimentação recomendada para as pessoas que não possuem a doença. A dieta deve ser composta por 50-60% das calorias totais ingeridas ao dia de carboidratos, dando preferência sempre aos carboidratos complexos, e de menor índice glicêmico.

As gorduras devem corresponder de 20-30% das calorias totais ingeridas ao dia, dando preferência às gordura insaturadas (peixes, óleos vegetais, azeite, sementes, etc.) e evitando as saturadas (carnes gordas, embutidos, frituras, creme de leite, etc.) à 10%.

As proteínas devem corresponder a 0,8 a 1,0 g/kg de peso ideal por dia (10-15% das calorias totais ingeridas diárias).

A alimentação deve ser supervisionada por uma nutricionista, levando em consideração o estado nutricional do paciente e hábitos de vida, possibilitando um melhor controle metabólico.
Objetivos de uma alimentação controlada:
- Contribuir para a normalização da glicemia;
- Diminuir os fatores de riscos cardiovascular;
- Fornecer calorias suficientes para obtenção e/ou manutenção do peso corpóreo saudável;
- Prevenir complicações causadas pelo diabetes.
Em quais alimentos estão presentes os carboidratos?

- Nos açúcares: branco e açúcar
mascavo (sacarose), xarope de glicose, açúcar invertido e frutose;
- No caldo de cana, rapadura, melado, mel, balas, doces em geral e
alimentos preparados com açúcar;
Mas não é só nos doces. Os carboidratos também estão presentes em:
- pães e biscoitos;
- arroz, macarrão e farinhas;
- milho, batata, mandioca,
- cará e inhame;
- feijão, ervilha , lentilha, grão de bico e soja.
- As frutas também contêm carboidrato;
- As verduras contêm pequenas quantidades de carboidrato;
Observação: O leite e o iogurte, apesar de não estarem no grupo dos carboidratos, também contém carboidrato (lactose).
Dicas gerais de alimentação para controlar melhor o seu diabetes!
  • Faça de 5 a 6 refeições por dia em horários pré determinados;
  • Cuidado com os alimentos LIGHT, eles podem conter açúcar. Lembre-se que o alimento DIET é o indicado para o diabético;
  • Leia atentamente os rótulos dos alimentos, além de verificar o prazo de validade é importante verificar os ingredientes;
  • Evite consumir açúcar branco (refinado), açúcar mascavo, dextrose, glicose, melado, mel e xarope de milho e caldo de cana, procure; substituí-los SEMPRE por adoçantes dietéticos;
  • Diminua o consumo de alimentos gordurosos e frituras como maionese, chantily, batata frita, carnes à milanesa, catupiry, mussarela, provolone, etc;
  • Prefira alimentos grelhados assados ou cozidos;
  • Dê preferência para os quijos brancos, cottage, mussarela light, ricota, margarina light, etc;
  • Retire SEMPRE a pele das aves e as gorduras aparentes das carnes vermelhas;
  • Escolha sempre que possível carnes magras como, por exemplo: lagarto, patinho, peito de frango,peixes, etc;
  • As carnes processadas (embutidos como salame, mortadela,
    salsicha, etc) contêm gordura saturada, colesterol e muito sal. Quando
    utilizar, escolha os tipos light (hambúrguer light, presunto de peito de peru light);
  • Evite consumir alimentos muito salgados e industrializados;
  • Use temperos naturais para dar mais sabor à sua refeição como salsinha, manjericão, orégano, etc;
  • Prefira SEMPRE alimentos desnatados;
  • Coma peixe sempre que possível, duas a três vezes na semana;
  • Consuma alimentos ricos em fibras como: pão integral, aveia grossa, farelo de aveia, biscoito integral, arroz integral, macarrão integral, feijão inteiro (não liquidificar), ervilha, lentilha, soja e milho em grãos, verduras e legumes (crus e cozidos) e frutas (com casca ou bagaço).
  • Você pode incluir em sua alimentação todos os tipos de frutas, verduras e legumes!
  • Controle o tamanho das frutas, prefira porções pequenas e de preferência com casca e bagaço se possível;
  • Evite o consumo de álcool;
  • Beba pelo menos 2L de água por dia;
  • NUNCA fique muito tempo sem se alimentar para evitar a queda do açúcar no sangue (hipoglicemia), tente fazer as refeições de 3 em 3 horas.

    O que é Hipoglicemia?

    É a queda de açúcar (glicose) no sangue.

Quais as suas Causas?

- Excesso de exercícios físicos;
- Ficar muitas horas sem se alimentar;
- Comer em horários desregulados;
- Ingestão de pouca quantidade de alimentos;
- Vômitos ou diarréia;
- Consumo de bebidas alcoólicas
- Administração de alta dose de insulina ou ingestão de maior quantidade de hipogliceminantes orais.

Quais os seus Sintomas?

- Fome súbita;
- Fadiga;
- Tremores;
- Tontura;
- Taquicardia;
- Suores;
- Pele fria, pálida e úmida;
- Visão turva ou dupla;
- Dor de cabeça;
- Dormência nos lábios e língua;
- Irritabilidade;
- Desorientação;
- Mudança de comportamento;
- Convulsões;
- Perda do conhecimento.
OBSERVAÇÃO: Em caso de suspeita de hipoglicemia você pode notar um ou mais desses sintomas.
Ao detectar o(s) sintoma(s), deve-se proceder da
seguinte forma:

O OBJETIVO É ELEVAR O NÍVEL DE AÇÚCAR NO SANGUE
Se possível, verifique sua glicemia com tiras reagentes. Este teste quantifica o açúcar no sangue. Não é aconselhável fazer este teste na urina, pois o resultado não é confiável no momento da hipoglicemia.

VOCÊ DEVE:
Ingerir algum alimento como um copo de leite, suco de frutas ou refrigerante.
Se, após 10 minutos, os sintomas não melhorarem, beber água com açúcar, comer chocolate, uma bala ou tabletes de glicose.

Seu médico pode ainda indicar para estas situações o medicamento Glucagen® injetável. (O Glucagen® libera glicose no sangue).

O alimento deve ser dado quando o diabético estiver consciente e for capaz de engolir, nunca quando estiver inconsciente.
Quando o diabético estiver inconsciente, deve ser feito o seguinte:

Colocar na boca, do lado interno da bochecha, açúcar ou mel.

Friccionar o porte interna da bochecha para facilitar o absorção.

Estas medidas devem ser imediatas, por isso você deve informar às pessoas que convivem com você: colega de escola ou trabalho, familiares e amigos. Eles podem salvar sua vida.

Se, após estas medidas, o diabético continuar inconsciente, leve-o imediatamente ao Pronto-Socorro mais próximo, informando ao médico plantonista o antecedente de Diabetes, os sintomas da hipoglicemia que a pessoa apresentou e o que já foi feito até o momento.

Seguramente, ele administrará Glucagen ou glicose endovenoso e verificará a glicemia.

Quando a reação terminar, o diabético deve ingerir algum alimento de absorção lento, como um sanduíche, bolachas, uma fruta ou outro alimento que tenha costume de comer normalmente.

Como evitar?

- Se alimentar sempre em horários regulares;
- Não ficar muitas horas sem se alimentar, comer de 3 em 3 h;
- Nunca praticar exercícios físicos sem se alimentar;
- Em caso de vômitos e diarréia, informar seu médico imediatamente;
- Utilizar os medicamentos prescritos nas doses e horários indicados pelo médico;
- Evitar bebidas alcoólicas.
- Não diminuir a quantidade de alimentos e o número de refeições por
conta própria;
- Informar ao nutricionista e ao médico se está fazendo exercício físico, pois o plano alimentar, o horário das refeições e a medicação poderão ser alterados;
- Em situações especiais, como viagens, festas, entre outras, intercale sua alimentação regular com lanches extras, de acordo com a situação.
Fonte: www.diabetesbrasil.com.br
O que é Indice Glicêmico (IG)?
É um índice que diferencia os tipos de carboidratos, em relação ao nível de açúcar no sangue que estes produzem. Os carboidratos entram na nossa corrente sanguínea com velocidades diferentes. Uns entram mais rapidamente, aumentando a liberação de insulina (alto valor glicêmico) e outros mais lentamente (baixo valor glicêmico).

Os diabéticos devem preferir alimentos que possuem IG inferior a 50. Podem consumir com moderação os que possuem IG de 50 a 90, de preferência ricos em fibras e evitar os alimentos que possuem IG superior a 90.

Tabela de Índice Glicêmico (IG) de alguns alimentos consumidos pela população brasileira
ALIMENTO
IG
ALIMENTO
IG
Abacaxi
94
Iogurte semi-desnatado
20
Abacaxi (suco)
66
Laranja
62
Arroz
81
Laranja (suco)
74
Arroz integral
79
Leite com chocolate e açúcar
49
Banana
76
Leite com chocolate sem açúcar
34
Batata cozida
121
Leite desnatado
46
Batata-doce
77
Leite de soja
43
Batata frita
107
Leite integral
39
Batata inglesa (purê)
104
Maçã
52
Beterraba
91
Maltodextrina
137
Bolacha água
102
Mel
104
Cenoura
101
Melancia
103
Corn flaks®
119
All bram®
78
Espaguete
59
Pão integral
99
Feijão
42
Sacarose
92
Frutose
32
Soja
46
Glicose
128
Uva
98
Iogurte integral
51
Xarope de milho
89
Fonte: MAHAN & ESCOTT-STUMP, appendix 54, 2000.
Contagem de Carboidratos
Em 1994, um comitê da Associação Americana de Diabetes (ADA) observou que 10g de carboidrato, independente do tipo e da fonte, teria o mesmo efeito na glicemia do indivíduo. Valorizava a quantidade de carboidrato ingerida, e não a fonte, já que quase a totalidade deste se transformaria em glicose. A ênfase na quantidade de carboidrato deveu-se ao fato de ser esse o principal nutriente que afeta a taxa de açúcar no sangue após a refeição. Independente se proveniente de frutas, pães, doces ou leite, 90% a 100% do carboidrato é convertido em glicose nas primeiras 2 horas após seu consumo, aparecendo na corrente sangüínea em 15 minutos. Apenas 60% das proteínas e 10% das gorduras irão se converter em glicose e, dependendo de outros fatores como a digestão, a absorção e a interação, com outros nutrientes que compõem a refeição. Um plano alimentar baseado nesse princípio é denominado contagem de carboidratos. Para todos os tipos de diabetes pode ser usado esse método.

A contagem de carboidrato alimentar consiste em calcular os gramas de carboidratos que serão ingeridos em cada refeição, para se saber os efeitos do mesmo na glicemia. Conhecendo-se esses efeitos, a quantidade de insulina poderá ser ajustada de acordo com o que se quer comer e com a leitura da glicemia antes das refeições. O método pode ser utilizado por qualquer paciente com DM e particularmente pelos que fazem terapia intensiva, utilizando doses variadas de insulina de ação rápida / ultra-rápida, e por aqueles que usam a bomba de infusão subcutânea contínua de insulina.

Entre todos os métodos de contagem de carboidratos, existem dois que são mais comumente utilizados podemos citar o método de gramas de carboidratos e o substituições de carboidratos. No primeiro método, os carboidratos de cada refeição são somados e, de acordo com a quantidade pré-definida individualmente, o paciente pode, com a orientação de um nutricionista, utilizar qualquer alimento de acordo com sua preferência. É necessário, que o paciente seja capaz de ajustar a dose de insulina ultra-rápida em resposta ao tipo de alimento desejado, que possua noções básicas das diferentes quantidades de carboidratos nos alimentos e entenda a relação entre alimento (carboidratos), glicemia, insulina e atividade física (quadro 1 ). No método de substituição, os alimentos são divididos em grupos e, em cada grupo, é determinada a quantidade média de carboidratos, o que possibilita a troca entre os mesmos. Estima-se que uma porção do grupo, chamada também de cota ou escolha, seja igual a 15 gramas de carboidratos. O exemplo de lista de substituições está descrito no quadro 2.
Quadro 1 - Quantidade de carboidrato de uma refeição
ALIMENTO
CARBOIDRATOS (g)
2 colheres de sopa de arroz
8
2 pires de verduras e legumes
0
1 bife pequeno
0
1 caqui
17
4 colheres de sopa rasa de arroz
20
TOTAL
45
Fonte: Contagem de Carboidratos e Monitorização- 101 respostas, 2003.

Quadro 2 - Exemplo de lista de substituições
GRUPO
CARBOIDRATOS (g)
PROTEÍNA (g)
GORDURA (g)
Pão
01 fatia, ½ pão francês
02 col. (sopa) cheias arroz
15
3
0
Fruta
01 laranja, 15 uvas
01 manga pequena
15
0
0
Leite
240 ml leite,
01 copo 200g iogurte natural
12
8
8
Vegetais
01 xícara (chá) vegetal cru
½ xícara (chá) vegetal cozido
5
2
0
Carne
01 bife peq. (90g)
04 col. (soap) rasas carne moída
0
24
9-24
Gordura
01 col.(chá) margarina
0
0
5

Fonte: Contagem de Carboidratos e Monitorização- 101 respostas, 2003.

A contagem de carboidratos, ao permitir uma grande flexibilidade para a escolha dos alimentos e, conseqüentemente, poucas restrições, aliada ao fato de se poder decidir o número de refeições, não se tendo a obrigatoriedade de realizar as seis diárias usualmente recomendadas nos esquemas tradicionais, poderá ser um fator que melhore a aceitação da doença pelo paciente com DM e, conseqüentemente, a sua qualidade de vida.

Esse método aplicado em pacientes portadores do diabetes tipo 2, pode apresentar algumas vantagens como: maior variabilidade na escolha de alimentos, melhor utilização dos medicamentos, oferecendo maior flexibilidade, além de evidenciar o efeito da atividade física e mostrar que não apenas o açúcar altera a glicemia. Vem sendo utilizado desde 1935 na Europa e no Brasil esse tema começou a ser abordado em 1997. No ano de 2001 foi lançado o primeiro manual de contagem de carboidratos direcionado a profissionais .

Após definidas as necessidades nutricionais (VET), calcula-se a quantidade de carboidratos em gramas ou por número de substituições por refeição. Exemplo: *calcula-se o VET de 1.800kcal;

* consideram-se 60% de CHO – isto se traduz em 270g de CHO a serem distribuídos no dia todo;
* de acordo com a anamnese, define-se a quantidade de carboidratos/refeição (no Quadro1 é apresentada apenas uma refeição: café da manhã) .

Deve-se observar que há diferenças entre os dois métodos no total de carboidratos por refeição. No método de substituição, o total é de 60g, relativos a 4 substituições x 15. No método de contagem, o total é de 51g.
Esta variação não implica erros, mas deverá ser considerada na prescrição do tratamento, sendo a monitorização primordial para o sucesso da terapia.
Quadro 3 – Comparação entre os dois métodos
ALIMENTO
SUBSTITUIÇÃO DE CARBOIDRATO
CARBOIDRATOS (g)
1 copo (240 ml) de leite desnatado 1 12
1 pão francês 2 28
2 colheres de chá de margarina 0 0
1/2 mamão papaya 1 11
Café c/ adoçante (1 xíc.café) 0 0
TOTAL 4 51
Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes,2002.

Em pacientes com controle alimentar exclusivo e/ou em uso de antidiabético oral, é importante estimular a ingestão das mesmas quantidades de CHO por refeição, sempre nos mesmos horários. No exemplo são utilizados 51g de carboidratos ou quatro substituições para o café da manhã.
Para quantificar os carboidratos presentes em cada alimento, é utilizado uma tabela para contagem de carboidratos.
DIABÉTICOS: CUIDADO COM OS PÉS!
O diabetes mal controlado, pode ocasionar o aparecimento de alguns problemas, como é o caso da neuropatia diabética, que causa comprometimento dos nervos , da circulação sanguínea e alterações na pele. Quando isso ocorre a pessoa sente formigamentos, sensação de ardência e diminuição da sensibilidade dos pés. Simples calos e rachaduras podem vir a causar até mesmo amputações. Com a pessoa perde a sensibilidade e tem dificuldade de cicatrização, qualquer machucado pode virar uma infecção maior se não tratado adequadamente.

ORIENTAÇÕES PARA O CUIDADO DOS PÉS
• Lave muito bem os pés diariamente com água e sabão neutro, sempre controlando a temperatura da água.
• Verifique se há bolhas, rachaduras, machucados, cortes entre os dedos ou mudança de coloração dos pés. Se tiver dificuldade de fazer sozinho, peça para uma pessoa ajudá-lo.
• Evite ficar com os pés de molho em água e evite bolsas de água quente.
• Enxugue muito bem os pés entre os dedos, para evitar o aparecimento de fungos.
• Use hidratante para evitar o ressecamento da pele.
• Cuidado ao tirar as cutículas, para que não infecte.
• Antes de calçar os sapatos, sempre olhe se não há algum objeto que possa, pressionar ou machucar os pés.
• Procure usar meias de algodão para os pés respirarem, e de preferência sem costura.
• Procure usar sapatos confortáveis.
• Se possuir alguma verruga, ou calos, procure um especialista e NUNCA tente removê-los por conta própria.
• Procure não andar descalços para evitar que se machuque.
Caso note alguma alteração em seus pés procure um médico!
VERDADES E MENTIRAS SOBRE O DIABETES

Posso substituir o mel pelo açúcar?
NÃO. O mel também possui açúcares em sua composição (sacarose, frutose e glicose), o que faz aumentar sua glicemia, assim como o açúcar refinado. Outros açúcares como o cristal e o mascavo, também são contra indicados. O aconselhável mesmo é utilizar sempre o adoçante.

Alimentos integrais (pães, bolachas,etc.) podem ser usados à vontade?
NÃO. Apesar da indicação de se dar a preferência à esses alimentos, não significa que estes, possam ser utilizados à vontade. Assim como os outros tipos de pães, eles também contém amido que serão transformados em glicose. Eles tem a capacidade de não aumentar muito a glicemia devido ao seu índice glicêmico e a quantidade de fibras que possuem. Eles podem ser usados com MODERAÇÃO.
Como sou diabético, NÃO posso comer macarrão, pães, (massas em geral).
MENTIRA.
Esses carboidratos serão, sim transformados em glicose em seu corpo, mas isto não significa que você não possa ingeri-los. Você pode e deve sim ingerir esses alimentos, mas com MODERAÇÃO e sabendo balanceá-los em sua dieta.

Os produtos dietéticos podem ser utilizados à vontade?
NÃO
. Mesmo não contendo açúcar, eles podem ser muito calóricos como, por exemplo, o chocolate diet, que possui muita gordura, às vezes até mais do que em um chocolate convencional. Portanto, sempre fique atento nos rótulos dos alimentos.

As frutas mais doces são proibidas para os diabéticos?
NÃO.
Apesar de possuírem um açúcar natural em sua composição (frutose), quando consumidas corretamente, não causam mal algum. Até 3 porções de frutas ao dia, em horários determinados, com casca e bagaço se possível, sempre ingerindo uma fruta por vez, nunca várias frutas ao mesmo tempo.

Carnes e ovos não contém açúcar, então eles podem ser utilizados à vontade?
NÃO.
Apesar de não possuírem açúcar, possuem proteínas e gorduras que em excesso, também são responsáveis por aumentar a glicemia (açúcar) do sangue, além de atrapalharem a perda de peso, e aumentar o “mau” colesterol (LDL) sanguíneo.

Os óleos que não contém colesterol (milho, girassol, soja, etc.)podem ser usados à vontade?
NÃO.
Seu excesso também engorda e atrapalha o controle do diabetes, podendo aumentar o triglicérides sanguíneo.
Porque devo controlar meu peso?
Reduzindo o peso, ajuda no controle da glicemia, e ajuda a reduzir outros riscos à saúde como a pressão alta, colesterol e triglicérides sanguíneo, doenças cardiovasculares, entre outras.
Pessoas diabéticas não podem comer cenoura, beterraba, mandioca e batata.
MENTIRA.
Essas raízes contém amido, que serão transformadas em glicose (açúcar) em nosso organismo, mas não significa que não pode consumi-los. Mais uma vez a palavra é MODERAÇÃO.

Pessoas diabéticas podem ter filhos?
SIM
, desde que haja planejamento e controle desde os primeiros meses de gestação até o final.

ATENÇÃO: O Diabetes não tratado pode levar à complicações como: cegueira, infarto, derrame cerebral, gangrena (leva a amputação de membros inferiores), doença renal, impotência sexual masculina.Uma alimentação saudável e exercícios físicos vão lhe proporcionar peso mais adequado, além de ajudar no controle do diabetes.
Converse com o médico para escolher a atividade física mais adequada para você.



Nenhuma informação deste site substitui uma orientação nutricional!
Consulte um nutricionista para um plano alimentar individualizado.



BIBLIOGRAFIA
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Links relacionados ao diabetes:
www.diabetesnoscuidamos.com.br
www.adj.org.br
www.diabete.com.br
www.diabetenet.com.br
www.comunidadediabetes.com.pt
www.diabetesbrasil.com.br

Por Dra. Michelle Ferreira De Simone
Nutricionista CRN-19020

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