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TRÍADE DO ATLETA, O QUE É ISSO?
musculação

A maioria das adolescentes e mulheres que praticam exercícios, podem obter importantes benefícios em termos de saúde. Porém, a pressão à qual adolescentes e mulheres jovens são submetidas para atingir ou manter o peso corporal, muitas vezes abaixo do ideal, resulta no que os estudiosos chamam de “Tríade da Atleta”.

Os três componentes da Tríade são:

1) Distúrbios Alimentares
2) Amenorréia
3) Osteoporose

1) Distúrbios Alimentares
São comportamentos alimentares anormais, pouco eficientes e prejudiciais utilizados na tentativa de reduzir o peso ou atingir o ideal do “corpo perfeito” que na maioria das vezes ele é surreal. Estes comportamentos variam na sua gravidade desde a simples restrição da ingestão alimentar, passando pelo ciclo comer demasiadamente e provocar o vômito logo em seguida, uso de laxantes, uso de diuréticos, supressores de apetite, jejum prolongado, pílulas para emagrecer, chegando às preocupantes desordens que são a anorexia nervosa e bulimia nervosa.

Estes comportamentos de restrição alimentar reduzem a taxa metabólica e provocam alterações nos sistemas músculo-esquelético, cardiovascular, endócrino, termorregulatório além de outros.

A anorexia nervosa é o extremo do comportamento restritivo alimentar, no qual o indivíduo se vê como acima do peso, mesmo que esteja 15% abaixo do peso corporal ideal. A amenorréia (quando a menina para de menstruar) é um dos critérios para se diagnosticar uma anorexia nervosa.

O comportamento bulímico é um ciclo de restrição alimentar ou jejum que acaba levando para uma alimentação em excesso, devido à fome fisiológica, seguida de purgamento. O comportamento purgativo inclui a indução de vômitos, o uso de laxantes, diuréticos, e exercícios físicos excessivos. As perdas de líquidos e eletrólitos durante esse comportamento, são as principais causas de morbidade, desidratação, desequilíbrios ácido-básico e eletrólittico, arritmias cardíacas, distúrbios gastrointestinais, aumento da glândula parótida, erosão do esmalte do dente, depleção de reservas de glicogênio muscular, hipoglicemia, anemia, amenorréia e osteoporose.

Esses distúrbios alimentares causam baixa da auto estima, ansiedade, depressão e alguns casos até suicídio.
Esses distúrbios vem se tornando cada vez mais comuns entre as mulheres e cada vez mais preocupante. Entre 0,5 e 1% das mulheres jovens têm anorexia nervosa, e 1 a 4% têm bulimia nervosa.

Alguns dos fatores que contribuem para o desenvolvimento de distúrbios alimentares são: Pressão da sociedade para que as meninas sejam magras; dietas crônicas; baixa auto-estima, depressão, problemas familiares, abuso físico ou sexual, fatores biológicos, perfeccionismo, falta de conhecimentos de nutrição, vontade de treinar e vencer a qualquer custo, pressão para reduzir o peso imposta pelos pais, técnicos, etc.

2) Amenorréia
A amenorréia primária é o retardo da menarca em uma menina de 16 anos.
A amenorréia secundária é a ausência de 3 ou mais ciclos menstruais consecutivos após a menarca.
Há muito já se relacionou a interrupção da menstruação com o treinamento físico, aliada a uma baixa disponibilidade de energia, o que resulta em alterações nos hormônios reprodutores da função menstrual. Na década de 70, um baixo peso corporal e um baixo percentual de gordura corporal foram colocados como causas de amenorréia. Pesquisas posteriores descartaram essas hipóteses e indicaram outros fatores envolvidos. Estudos têm revelado que o exercício em excesso e a baixa disponibilidade de energia são as causas potenciais da interrupção do gerador de gonadotrofina que por sua vez reduz a freqüência das elevações do hormônio luteinizante (LH), que seria uma causa direta da amenorréia.

Atletas de “endurance”, por causa do seu grande gasto calórico diário, podem estar em déficit energético se consumirem as mesmas dietas adequadas para mulheres sedentárias. Mesmo sem apresentar algum distúrbio de alimentação nem restringindo conscientemente sua dieta, elas podem estar consumindo menos calorias do que o necessário para manter o seu alto gasto energético e podem desenvolver amenorréia como resultado do desequilíbrio energético.

Para evitar alterações nos seus hormônios reprodutivos e função menstrual, mulheres fisicamente ativas deveriam modificar os seus padrões alimentares para satisfazer o seu gasto energético.
A amenorréia foi ligada a uma redução prematura da densidade mineral óssea. Portanto mulheres amenorréicas devem ser estimuladas a ingerir pelo menos 1.500mg de cálcio por dia.

3) Osteoporose
Baixas concentrações de hormônios ovarianos em mulheres atletas amenorréicas, estão associadas com uma redução da massa óssea e maiores taxas de perdas ósseas. Essa perda é semelhante à que ocorre em mulheres pós-menopausa. Práticas alimentares inadequadas com baixa ingestão de cálcio combinada com disfunção menstrual podem exacerbar a perda óssea.

Na atleta adolescente, uma má nutrição e uma condição hipoestrogênica pode resultar em uma redução da formação dos ossos durante os anos críticos da construção do esqueleto. Este quadro apresenta um considerável risco de fraturas durante os anos de competição e risco futuro de fraturas prematuras por osteoporose, que seria aceitável apenas em mulheres idosas.

Quem está sob risco?
Potencialmente todas as garotas e mulheres fisicamente ativas podem estar sob risco de desenvolver um ou mais componentes da Tríade.

As alterações biológicas, a pressão dos pais, a exigência da sociedade para serem esbeltas e a preocupação com a imagem corporal que ocorre na puberdade, tornam a adolescência a idade mais vulnerável. A participação em esportes que enfatizem um baixo peso corporal pode também ser um fator de risco. Entre estes esportes temos:

1) Esportes nos quais o desempenho é julgado subjetivamente (dança, patinação artística, saltos ornamentais, ginástica e dança aeróbica).

2) Esportes de endurance que enfatizem um baixo peso corporal (corrida de longa distância, ciclismo, esqui de planície).

3) Esportes que utilizem roupas colantes ou aderentes ao corpo na competição (vôlei, natação, saltos ornamentais, corrida cross-country, participação em torcidas organizadas).

4) Esportes que utilizem categorias por peso para participação (hipismo, algumas artes marciais, levantamento de peso, remo).

5) Esportes que enfatizem uma aparência corporal pré-púbere para um desempenho de sucesso (patinação artística, ginástica e saltos ornamentais).

Os atletas do sexo masculino, particularmente os que participam de esportes categorizados por peso ou esportes de endurance, também possuem risco para desenvolver distúrbios alimentares e anorexia nervosa. Exercício exagerado e anorexia nervosa em homens estão associados com hipogonadismo e osteoporose.

A Tríade da atleta também ocorre em não atletas e em garotas e mulheres fisicamente ativas que não estão treinando ou competindo em nenhum esporte específico.

Por Dra. Michelle Ferreira De Simone
Nutricionista CRN-19020

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